Cachoeira de Santa Bárbara, na Chapada dos Veadeiros

Nós sabíamos que este era um dos atrativos mais famosos da Chapada- senão o mais famoso. A foto da cachoeira de Santa Bárbara quase sempre estampa posts sobre a Chapada e não é para menos: ela é de fato tudo o que dizem e ainda mais!

Como chegar:

Para visitá-la é preciso ir até o município de Cavalcante-GO. Partindo de Alto Paraíso são 90kms até Cavalcante no sentido de Teresina de Goiás. É chão pra caramba, mas todo o esforço compensou.

A Cachoeira Santa Bárbara fica na região rural de Cavalcante. Partindo do centro da cidade ainda temos que pegar 27 km de estrada de chão até o Povoado Engenho II, na Comunidade Quilombola Kalunga. A cachoeira fica nas terras deles e são eles os responsáveis pela manutenção e cuidado com o lugar, que inclusive foi um dos aspectos mais interessantes da visita.

A majestosa cachoeira de Santa Bárbara: a água é mesmo desta cor!

Sobre os Kalunga:

Goiás é um estado de muitas comunidades quilombolas e os Kalunga estão espalhados por vários outros municípios do Estado. Nossa guia nos contou que eles viveram sem contato com outras pessoas por muitos anos, sem saberem ao certo do fim da escravidão. A partir da década de 80 em virtude da desapropriação de terras da região para a construção de uma usina hidrelétrica é que tomou-se conhecimento deles. Hoje vivem basicamente de agricultura de subsistência e tem com o turismo uma complementação da renda.

Restaurante Kalunga, onde almoçamos no final do passeio

As casas da comunidade são todas muito simples e a gente percebe que não há luxo por lá. Há turista que critique o custo para visitar o atrativo, mas considerando o cuidado que eles tem com o local não nos pareceu abusivo não. Infelizmente se não houver alguma restrição é muito provável que este espetáculo da natureza seja destruído em poucos anos e os Kalunga preservam suas terras de um modo muito bonito e genuíno.

As ruas da área do povoado

Sobre a visita:

Uma vez na comunidade é preciso dirigir-se à recepção, uma casinha onde uma atendente faz o controle de entrada. Pagamos uma taxa de R$ 30,00 por pessoa e é necessário contratar guia – não é permitido acessar a cachoeira sem um guia local. Lá mesmo ficam os guias da comunidade e eles trabalham num esquema de rodízio – conforme os visitantes vão chegando determinado guia o acompanha e assim vai. Detalhe: se quiser visitar apenas Santa Bárbara a taxa é de R$ 20,00, mas por R$ 30,00 pode visitar também a cachoeira da Capivara. Já que estávamos lá optamos por fazer tudo.

Importante: o guia tem o custo de R$ 100,00 por grupo, e este grupo pode ser de até 8 pessoas. No caminho nós conhecemos uma família de 4 pessoas e já combinamos de “rachar” o valor do guia. Lá mesmo na recepção é possível combinar com outros visitantes e fazer este arranjo.

Na recepção eles perguntam também se você quer reservar o almoço, que é servido na volta do passeio. R$ 30,00 por pessoa, à vontade. Nós decidimos reservar e foi a MELHOR COISA que fizemos.

A trilha:

Quem nos guiou foi Cida, moradora da comunidade. Seguimos em nosso carro até um estacionamento mais próximo ao início da trilha – quem não tiver de carro e não quiser ir a pé pode pagar algo em torno de R$10 reais para ir em carros tipo saveiro, de moradores locais.

Ali a entrada para a trilha é controlada por moradores que usam comunicadores para conversarem com os guias – cada grupo pode ficar na cachoeira pelo período de 1 hora, então só é autorizada a entrada de um novo grupo na trilha (no máximo 50 pessoas por vez) quando o outro já está voltando. A área da cachoeira é pequena, e esta é uma forma de garantir uma experiência melhor para todos além de, é claro, zelar pela conservação do local.

Visual da trilha

Quando fomos autorizados a passar iniciamos a trilha – são aproximadamente 2 kms de uma trilha bem tranquila e bem cuidada, com poucas subidas.

Para chegar à cachoeira passamos primeiro por um pequeno poço formado pela cachoeira “Santa Barbarinha”. Ela é tão, mas tão linda que a gente já fica ansioso pela cachoeira maior.

Santa Barbarinha: uma pequena amostra do que vem pela frente

Enfim, Santa Bárbara:

A sensação de chegar à Santa Bárbara é indescritível: a gente vem numa trilha mais fechada (em seu trecho final) e eis que, de repente, por entre as árvores, ela surge. É simplesmente incrível. Sabe aquele lugar que você vê nas fotos e duvida que ao vivo seja tão lindo mas chegando lá descobre que ele é ainda mais incrível? Pois é, este é o caso de Santa Bárbara. Uma queda de 30 metros que cai num poço cristalino de uma água absurdamente azul. Cena de cinema!


Cachoeira da Capivara:

Na volta seguimos pela trilha, pegamos o carro e de lá fomos para a Cachoeira da Capivara. Ela é linda, mas claro, quem rouba a cena por lá é mesmo a Santa Bárbara.

Antes de chegarmos na Cachoeira da Capivara há um poço pequeno para banho delicioso: como a cachoeira acabou ficando muito cheia, já que lá não há o mesmo controle de entrada/saída que em Santa Bárbara, acabamos só vendo a cachoeira e decidindo curtir mais do poço, que estava vazio.

O almoço:

Finalizamos a visita com o almoço e aqui vem uma dica essencial: o almoço faz parte da experiência, então não abra mão dele de jeito nenhum! Comida farta, deliciosa, em fogão à lenha, com pratos típicos da culinária quilombola.

Apesar de não ser um programa barato, considerando o valor por pessoa + guia + almoço + custo para se chegar até lá ( especialmente para quem ainda for pagar transfer) podemos garantir que vale cada centavo!

A Cachoeira de Santa Bárbara faz jus à sua fama: é um passeio IMPERDÍVEL! Vale cada centavo investido, vale toda a distância percorrida!

Compartilhe:

Vanessa Barreto

Psicóloga por profissão, viajante por paixão. Acredito na força dos encontros, na potência das palavras e na beleza das pequenas coisas. Viajar é um modo de existir e de se reinventar e por quê não dizer terapêutico também?

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *