Conheça a Casa do Rio Vermelho, a casa de Jorge Amado

Este era um dos lugares que eu mais queria conhecer em Salvador: a famosa casa do Rio Vermelho, residência que abrigou por 40 anos o casal Jorge Amado e Zélia Gattai. Para minha felicidade ela está aberta a visitação desde 2014!

Logo na entrada esta linda mensagem num tapete – não é maravilhoso?

Jardins e jardins…

Passando pela entrada principal, subimos uma escadaria e chegamos ao jardim que é lindo! Uma pequena floresta particular, com muito verde e um clima delicioso. Neste jardim foram depositadas as cinzas do casal. É difícil explicar, mas a casa tem uma energia muito supreendente, a vontade é de não ir embora dali.

Logo na entrada destaque para o Exu de ferro, guardião da casa. A gente pode ofertar moedas a ele, agradecer, fazer um pedido…

Bem na entrada da casa tem um café, onde é possível petiscar algo antes ou ao término da visita.

Adentrando a casa

Na parte interna da casa começamos a visita pela sala onde o casal fazia suas refeições e habitualmente Jorge Amado escrevia – lá estão expostos os móveis originais e também a máquina de escrever do escritor e muitos, muitos objetos de arte que o casal acumulou das várias viagens realizadas, além de presentes de amigos.

Na sequência entramos no quarto de hóspedes – a cama é de alvenaria e toda decorada com azulejos com símbolos dos orixás Oxóssi e Oxum, respectivamente pai e mãe de Jorge Amado no Candomblé (falaremos mais disto adiante). Na parede uma projeção com artistas que já se hospedaram ali.

Um corredor nos leva à cozinha, que é linda de viver. Decorada em tom azul bem claro, com geladeira vermelha e muitos pontos de cores. Destaque para a coleção de pratos do casal nas paredes.

Em anexo à cozinha, uma instalação que destaca a culinária baiana através de um vídeo interativo – na tela uma baiana lhe ensina a receita que você pedir. Tem também amostras de vários temperos que podemos manusear, cheirar, provar.. 🙂

Um segundo quarto de hóspedes foi transformado em espaço para outra instalação. Num cômodo completamente escuro, uma projeção que toma conta de toda a parede mostra artistas lendo trechos de obras de Jorge Amado.

No cômodo ao lado, a biblioteca, com seu acervo protegido em vidro.

Uma área externa, interna

Uma área externa mas “de dentro da casa” ostenta um laguinho chamado “lago dos sapos“, todo decorado com várias estátuas de sapinhos fofos, em posições variadas. Novamente vemos os azulejos de Oxum e Oxóssi – eles estão em várias partes da casa.

Voltando à casa

Passando pela parte externa acessamos de novo outra área interna da casa, onde em cômodos com pouca luz (por isto não fotografamos) estão gaveteiros que guardam vasta correspondência trocada pelo casal com personalidades do mundo inteiro, em especial no período em que o escritor esteve exilado – Jorge Amado foi preso muitas vezes e passou 19 anos mudando-se de um país a outro.

Em cômodo anexo e igualmente mais escuro vemos muitas roupas do casal, objetos pessoais e documentos, com um forte destaque à militância política do casal. Passamos também por um pequeno laboratório de revelação fotográfica de Zélia, até chegarmos ao quarto do casal.

Varanda

Saindo da casa acessamos uma enorme varanda onde estão expostos souvenires e objetos de arte que o casal colecionava – é muita, muita, muita coisa! Tem também uma bancada grande com livros sobre o casal para consulta.

De volta ao início – o jardim

Saindo da casa, voltamos ao jardim, onde entramos numa espécie de gazebo de madeira. Nele um vídeo em looping conta da relação de Jorge Amado com o Candomblé – ele era assíduo frequentador dos terreiros da Bahia e forte defensor da tolerância às religiões africanas. É um relato lindíssimo de se ver.

Na saída fomos até a lojinha – tem muita coisa linda e os preços são bem justos. Trouxemos para casa um quadrinho com a frase “Se é de paz pode entrar”, pagamos R$ 50,00 nele (a mesma frase do tapete, foto que abre este post).

Eu saí da casa profundamente emocionada por ter vivido esta experiência. Claro que conhecer a casa é muito mais impactante para os fãs e apreciadores da obra de Jorge Amado e Zélia Gattai, mas fico pensando que até mesmo os que não são próximos destas memórias irão gostar: Jorge Amado é a Bahia, a Bahia é Jorge Amado, isto é fato. Pisar nos espaços e no solo onde viveu o mais baiano dos baianos é algo muito especial.

Agradecimentos ao amigo Gabriel Pinheiro, que foi nosso anfitrião em Salvador e nos acompanhou nesta visita. Ele é fotógrafo e tem imagens lindas da Bahia, muitas aparecerão nos próximos posts!

Casa do Rio Vermelho

Rua Alagoinhas, 33, Rio Vermelho. Salvador- BA

Terças a Domingos de 10 as 17hs

Entrada: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (estudantes e idosos). As quartas-feiras a entrada é gratuita.

Informações: Site da Casa do Rio Vermelho

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Vanessa Barreto

Psicóloga por profissão, viajante por paixão. Acredito na força dos encontros, na potência das palavras e na beleza das pequenas coisas. Viajar é um modo de existir e de se reinventar e por quê não dizer terapêutico também?

5 Resultados

  1. Uauuu! Amei tudo nessa casa mas confesso que o anexo da cozinha com culinária baiana me deixou com água na boca!! Hehe

  2. Vanessa, que passeio mais incrível. Ia me perder no tempo observando cada detalhe. Interior e exterior de uma beleza que prende a gente mesmo! Dica mais que anotada. Eu nunca tinha ouvido falar. Obrigado por me apresentar! Mais um motivo para ir para Salvador!

    • Vanessa Barreto disse:

      Oi Lúcio!
      Acho mesmo que tá na hora de você planejar esta viagem hein? Salvador é um destino imperdível para amantes de cultura e história, como você! 🙂

  1. 18 de maio de 2019

    […] das experiências mais emocionantes que vivi na Bahia foi conhecer a casa onde o casal de escritores Jorge Amado e Zélia Gattai viveram. Além de ser linda de viver, a casa tem uma energia […]

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