Conhecendo duas cafeterias em Cunha: Fazenda Aracatu e Moara Café

Cunha não chega a ser um ícone do agroturismo. É nomeada pelo estado enquanto uma estância climática, afinal, está no topo da Serra do Mar, e inclusive abriga um dos núcleos do Parque Estadual.  É igualmente conhecida por fazer parte da Estrada Real (é o penúltimo destino do caminho velho, antes de terminar em Paraty). Tem se destacado pela gastronomia, com bons restaurantes, cervejarias… E é pouso de vários ceramistas que formam um polo de artesanato na região. Mas é inegável, também, que ronda pela pacata e charmosa cidade um ar de valorização da cultura do campo, da produção local, da utilização dos recursos ali disponíveis, tal qual se vê nos receptivos de turismo rural. Sentimos isso nos vários sítios e fazendas oferecendo seus produtos, nos restaurantes que não deixam de identificar a origem local dos ingredientes, na orgulhosa produção de Shitakes e até mesmo nos Lavandários. Esse “turismo rural”, ainda ganhando forma, em Cunha toma banho de sofisticação. As duas cafeterias que visitamos, à beira da estrada,  são bons exemplos.

Localizada na Rodovia Paraty-Cunha (SP-171, Km 56) a Fazenda Aracatu é o destino certo para um cafezinho após o almoço e foi exatamente neste contexto que a visitamos. 

Uma grande loja e cafeteria compõe o espaço interno, onde são comercializados produtos dos mais variados. Logo na entrada há uma área destinada a doces e compotas, a maioria de produção da própria fazenda. Não faltam também bebidas, roupas de lã e artigos para presentes. 

Mais ao fundo do amplo salão está localizada a cafeteria. Um charmoso fogão ostenta um bule fumegante, deixando claro o recado: café fresquinho a qualquer hora! De tempos em tempos novas fornadas de pães e bolos saem e vão perfumando o salão. Uma ampla mesa de madeira ao centro expõe queijos e frios da fazenda, são tantas as opções que a gente fica até meio perdido. Há ainda uma sorveteria que serve sabores inusitados de sorvetes, como café e cidreira com limão.

Uma sessão só de congelados oferece tilápias, lasanhas e empadões, tudo pronto para viagem. Muito procurado pelos turistas também é o famoso cogumelo shitake da região, quando lá estivemos já tinha acabado, tamanha a procura. O preço era ótimo.

A decoração é belíssima e simula uma fazenda: piso em madeira, mobília antiga, telhado sustentado por largas toras de madeira. Vários itens de antiquário, muitos a venda, espalham-se pelo salão: piano, gramofone, telefones antigos e muitos outros objetos antigos compõem harmonicamente o cenário. Tudo é muito bonito e bem cuidado.

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Queijos, queijos, queijos <3

A área externa é um espetáculo a parte: na varanda mesas com cadeiras e poltronas permitem ao visitante degustar o café e ainda descansar um pouco das andanças. No  jardim, redes e espreguiçadeiras convidam a uma pausa mais prolongada, cabe até um cochilo!

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Área externa da Fazenda Aracatu

Tentamos experimentar um pouco de cada coisa. Pedimos café, bolo de pinhão (típico da região) e sorvete (que infelizmente não nos lembramos do sabor escolhido). O café era ótimo, mas achamos o bolo bem sem graça. O sabor do pinhão é suave e o açúcar sobressai mais do que qualquer outra coisa. O sorvete era bem gostoso, mas não tem jeito, nosso padrão top de sorvete ainda segue sendo o Bacio di Latte e nunca encontramos um que batesse o deles.

Os preços foram justos se considerarmos que é um lugar elegante, bonito, voltado ao turista, muito confortável e cuidado com muito esmero. A fatia do bolo R$ 5,00, o sorvete R$ 8,00  a cada 100g. Todos os demais produtos tinham preços na média também. 

Já o Moara Café visitamos quando estávamos de partida rumo ao próximo destino do roteiro “Eu prefiro as curvas da estrada de Santos“, Paraty. Como ele fica também na rodovia Paraty-Cunha (SP -171, Km 57) estava bem no nosso caminho e não podíamos deixar de conhecer.

Do lado de fora, uma simpática casa alaranjada. Por dentro, uma grande loja com os mais variados tipos de artesanato, tanto da região como de outras localidades. À venda estão enfeites, quadros, almofadas, porta retratos, artigos em tapeçaria, doces, bebidas, presentinhos dos mais variados tipos. Existe até uma pequena sessão com livros e discos de vinis usados, todos à venda também. 

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Entrada do Moara Café. Foto: O Melhor da Viagem

A decoração é uma gracinha! Logo na primeira parte da loja já é possível ver o café a direita, com um grande balcão de vidro e doces e tortas que pareciam bem apetitosos. Visitamos a Moara um pouco antes do horário do almoço e estávamos ainda saciados do café da manhã, então acabamos não provando nenhum quitute, apenas o café coado, que é servido na mesa, num coador individual e coado na frente do cliente. Não nos recordamos do custo ao certo, mas, como na Aracatu, pareceu-nos justo.

Na área externa há um lindo jardim gramado, com muitas flores, suculentas e área  de descanso com bancos e redes, muito bonito. 

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Embora tenhamos gostado de visitar os dois espaços, existem diferenças importantes entre eles. A Fazenda Aracatu tem um foco maior na venda de produtos próprios como pães, bolos, doces e outros alimentos frescos, como queijos e embutidos. Então é um bom lugar para comprar estes gêneros.  Os itens presenteáveis tem referência direta com o cenário “fazenda” e são compostos especialmente pelos produtos próprios e pelos itens de antiquário.

Já a Moara tem uma variedade de souvenirs genéricos maior (inclusive com coisas pouco rústicas, como quadros de pin-ups e coisas que facilmente encontramos em outras lojas, mesmo fora de Cunha). Na Moara encontramos também doces, muitos inclusive da Fazenda Aracatu. A cafeteria serve tortas e doces, mas não vimos pães e tanta variedade de produtos frescos, como na Aracatu.

Ambas possuem linda área externa. É meio esquisito que um local destinado basicamente ao consumo se converta em um local de passeio, mas os proprietários conseguem, ao integrar os ambientes com a natureza e incluir tantas referências culturais, fazer o visitante se sentir acolhido e agraciado, mesmo que não consuma. E ainda, como estão bem próximos e na mesma estrada, podemos dizer que sim, vale muito a pena visitar ambas. Além do mais, o café é realmente ótimo.

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Um casal mineiro que ama viajar e conhecer novos lugares, mas acima de tudo busca experiências e novas histórias para ouvir e contar.

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