Conhecendo o centrinho de São Francisco Xavier

O distrito é bem pequeno e todo o comércio localiza-se principalmente na Rua 15 de Novembro, entre a praça Con. Antônio Manzi (praça central ou do coreto) e o Largo de São Sebastião. Nesse pequeno trecho da rua, de uns 300 metros em terreno plano, estão restaurantes, lojas de artesanato, cafeterias e pubs. Em poucos minutos percorre-se toda a parte comercial da rua, a pedida por lá é fazer tudo sem pressa, caminhando devagar, olhando as lojas, sentando no banco da praça e deixado o tempo passar.

Embora existam alguns restaurantes mais “pomposos” a única refeição externa que fizemos por lá foi na padaria e restaurante Vale Verde, que fica na esquina da praça central com o início da Rua 15 de novembro. Trata-se de um local simples que oferece um buffet self-service bem honesto. Não me lembro exatamente quanto pagamos, mas foi muito barato, creio que menos de R$ 30,00 o Kg  e ficamos muito surpresos com a qualidade da comida. Uma boa opção para quem quer almoçar sem gastar muito!

Não tivemos interesse em conhecer outros restaurantes. Geralmente buscamos opções de alimentação baratas, utilizadas no dia a dia dos moradores das cidades em que estamos, e quase sempre só consentimos em gastar uma grana mais alta se tivermos alguma boa referência do lugar. Pode ser um restaurante estrelado (do Guia 4 Rodas, por exemplo) ou indicado por um amigo; às vezes, dicas de anfitriões e pessoas que conhecemos pelos caminhos; ou algo muito peculiar ou típico do local que acaba nos atraindo. Como não tínhamos nenhuma destas referências por lá, o restaurante Vale Verde cumpriu muito bem a função, o famoso bom, bonito e barato. 

A maior parte dos ateliês de arte não ficam no centrinho, mas sim nas estradas do entorno. Por lá encontramos apenas lojas que vendem artesanatos em geral e confesso que nada me chamou muita atenção. Não vimos nada muito diferente do que encontramos aqui em Minas por exemplo: artigos em madeira, ferro, tapeçaria. Para quem conhece Tiradentes facilmente entenderá do tipo de artesanato que estamos falando.

Das lojas de artesanato do centro o Guia 4 rodas mencionava apenas uma: Amantiquira. Decidimos pela indicação visitá-la com maior detalhamento. A loja é grande e muito bonita, com vários espaços e vasta gama de produtos. Achei curioso porque lá encontrei além de todo o artesanato já citado, peças do nordeste, que vi em abundância na feira de Caruaru-PE. Ou seja: frustra-se quem vai procurando artesanato local ou produtos dos artesãos de lá. As lojas de artesanato do centrinho nada mais são do que um ponto de venda de artesanato de vários lugares do país. É bonito? Sim, é! Mas senti falta de “alma”, daquela coisa que traz a marca do lugar, sabe? Mas tem peças lindas e para quem está a procura de artesanato bonito para comprar é uma ótima indicação. Os preços me pareceram justos. Não posso dizer dos ateliês, pois não visitamos nenhum. Neles imagino que seja possível vislumbrar a arte de modo mais genuíno, com a marca do artista local.

Fomos à cidade em dois dias (sexta-feira e sábado, 08 e 09 de setembro), sempre pela manhã ou à tarde. Na sexta notamos que havia muitas estantes com livros no coreto da praça e soubemos que no dia seguinte  ali funcionaria um sebo em que toda a renda seria revertida para a Associação de Amigos da Biblioteca, que toca um espaço (bem na rua principal) onde já funcionaram uma biblioteca solidária e um centro cultural, hoje fechados e em busca de recursos para reabertura. Infelizmente não conseguimos vê-lo em horário de funcionamento, mas achamos uma graça!

Ficamos um bom tempo sentados na praça principal, contemplando. Muitos turistas passeavam por lá, mas era possível também ver um pouco da vida local: um lugar tranquilo, onde as pessoas caminham a passos lentos e muitos ainda cavalgam. Por outro lado, percebemos que São Xico é uma cidade em franco crescimento, provavelmente muito em função do turismo. De manhã boa parte dos estabelecimentos mais turísticos se encontra fechada e vemos muito movimento de obras e construções sendo realizadas. Com o cair da noite, o movimento de turistas vai aumentando (vindo das várias hospedagens charme espalhadas pelos arredores) e vão surgindo cada vez mais mesinhas e luzes que dão para charmosos barzinhos ou “mini-pubs”, com balcão que dá direto para o passeio, além de estreitos corredores que se adentram para estabelecimentos semelhantes. Simpático, embora algo pasteurizado (não é que não gostamos e que não tenha seu lugar, mas fica a impressão de que tudo é importado dos grandes centros para que os turistas que viajam nos fins de semana possam consumir o mesmo que consumiria lá – fica faltando a alma local, como no caso do artesanato; a gente nota isso em várias cidadezinhas).

Como nos dois dias ficamos bem cansados com os passeios diurnos e nosso chalé ficava na vizinha Monteiro Lobato, optamos por não ficar a noite no centrinho. Certamente em finais de semana é lá que acontece todo o burburinho. Alguns restaurantes contam com shows ao vivo, então para quem gosta de vida noturna São Xico não parece fazer feio!

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oqueijovainamala

Um casal mineiro que ama viajar e conhecer novos lugares, mas acima de tudo busca experiências e novas histórias para ouvir e contar.

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2 Resultados

  1. Que delícia! Amamos esses lugares pequenininhos!
    Já está na nossa lista!

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