De Campos do Jordão à Maria da Fé de carro: conhecendo Piranguçu e Itajubá

Se tem uma coisa que a gente gosta é de pegar estrada. Não estou falando somente do ato de viajar no sentido de ir para outro lugar, de chegar e de conhecer coisas novas: a gente gosta MUITO  do caminho também. Não é a toa que a maior parte de nossas viagens vão envolver carro. Se não formos com Catarina (nosso carro), damos um jeito de alugar um onde estamos e fazemos uns bons trechos via terrestre.

Existem estradas e estradas – claro que pensando no asfalto as melhores são as boas rodovias duplicadas – em nosso país com pedágios, em sua maioria. Mas bem verdade é que nutrimos um carinho muito especial pelas estradas de terra, talvez porque elas remetam muito à nossa origem mineira. Já passamos por muitas, segundo Leo, Catarina gosta muito delas! 😀

Já havíamos finalizado nossos dias em Campos do Jordão e partiríamos para Maria da Fé e qual não foi nossa surpresa ao identificar que parte do trajeto seria de terra – mais precisamente entre São Bento do Sapucaí-SP e Piranguçu-MG: atravessaríamos as montanhas da Mantiqueira e a divisa dos Estados.

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Foto que ficou com uma luz terrível, o sol estava a pino, mas taí nosso registro da divisa entre São Bento do Sapucaí (SP) e Piranguçu (MG)

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Vocês vão ter dificuldades em ler, mas a placa diz: DIVISA S. Bento do Sapucaí e Piranguçu

A estrada de terra se inicia na região de São Bento do Sapucaí, perto do Complexo da Pedra do Baú – a estrada é de terra mas é bem “batidinha”, sem cascalhos e grandes buracos, então qualquer carro baixo passa com tranquilidade.

O cenário mais comum são as matas de araucária, típicas da região da Mantiqueira.

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Luuuuuuz na passarela lá vem Catarina!!!

A cada curva, uma visão da Mantiqueira se descortina diante de nossos olhos. Pra combinar com o cenário, colocamos uns “modão duído” pra tocar: fomos ouvindo (e cantando) Victor e Leo. Nada mais apropriado né? 🙂

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A cada curva um pedacinho da Mantiqueira exibe toda sua beleza

Ah, a Mantiqueira <3

Logo chegando à Piranguçu, já no extremo Sul de Minas,  a estrada vai margeando uma represa linda! Neste ponto a estrada ficava um pouco mais estreita e nós acabamos não parando para fotografar. Pelo Maps vimos que trata-se da represa da Usina de São Bernardo

Paramos em Piranguçu para almoçar no restaurante Bistrô Pé na Roça. É uma graça porque o nome Bistrô em geral remete aos restaurantes mais refinados – ao menos é nossa impressão – e estávamos nós num legítimo restaurante simples de comida mineira. Sabe aquela comidinha simples e caseira, super saborosa? Então, era assim. A gente pagava um valor fixo (não me lembro quanto, mas não foi caro) e se servia a vontade. Poucas, mas boas opções incluindo feijão, arroz, saladas, macarrão, angu, carne de porco e frango, tudo bem fresquinho. Comida mineira é com a gente mesmo né? ahahahaha

Começamos a prosear com o moço que trabalha lá. Ele queria saber de onde éramos: explicamos que somos de BH e estávamos num roteiro de carro pela Mantiqueira, a caminho de Maria da Fé. Foi aí que toda a mineirice dele apareceu e ele nos contou uma história incrível. Uma mulher teria se apaixonado pelo padre da igreja de Maria da Fé – segundo ele o padre nunca correspondeu – mas mesmo assim o marido tomou ciência do fato e foi atrás do padre armado, para matá-lo. Deu uns tiros lá na igreja mas não matou ninguém. Ele disse que até hoje a bala está na parede da igreja e que se a gente fosse lá procurar iria vê-la. Olha, se tem mesmo a bala eu não sei, já que acabamos não vendo a igreja aberta, mas só a história valeu demais. Dá um quentinho no coração ouvir essas histórias de interior. Estávamos de volta à nossa casa, estávamos em Minas Gerais. <3

A tarde já estava por avançar, o calor intenso e nós ainda tínhamos estrada pela frente – eu queria ainda tentar ver um pouco de Itajubá, no caminho – então não conseguimos rodar muito por Piranguçu. Trata-se de uma cidade com muitos bairros rurais e pequenas propriedades, o que dá a cidade um charme peculiar à toda pequena cidade mineira.

Em contato com um Piranguçuense pelo Instagram, soubemos também que Piranguçu destaca-se pelo vôo livre: muitas pessoas vão pra lá para saltar de paraglider. Dêem uma olhadinha nestas fotos incríveis que foram gentilmente cedidas por Flávio Siqueira, nascido na cidade. (Nada melhor do que saber de uma cidade por quem a conhece desde pequeninho) 😀

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Fotos cedidas por Flávio Siqueira

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Flávio nos enviou esta foto também, da Cachoeira São Bernardo

Veja AQUI mais fotos da cidade. É uma graça! Por que é que não dá tempo da gente explorar todas as cidades de Minas hein?

Flávio deu também a dica de uma empresa local de Ecoturismo: Piranguçu Ecoturismo . Ô vontade de voltar pra explorar mais viu?

De volta à estrada partimos rumo à Itajubá, uma cidade maiorzinha: são 90 mil habitantes e um cenário completamente distinto da bucólica e pacata Piranguçu. Itajubá tem prédios altos, universidade e toda uma estrutura de serviços compatível com uma cidade de médio porte.

Nós não tínhamos muito tempo – ainda precisávamos chegar a Maria da Fé e procurar hospedagem, não havíamos reservado nada – então abri o trip advisor e procurei “o que fazer em Itajubá”. A indicação número 1 era o Santuário de Nossa Senhora da Agonia. Maps devidamente atualizado , partiu Santuário.

Antes mesmo de chegar a gente já o vê, ao alto. Uma construção bonita, moderna, em formato de cone. Predominância do tom azul e branco, vidros azul espelhado, cúpula prateada. Imponente!

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Entramos, fotografamos e abrimos o celular para pesquisar. Lá descobrimos que a construção não é muito antiga: 1990. O terreno foi doado por um senhor português  e com arrecadação dos devotos e trabalho da comunidade o santuário foi concebido. Ficou mesmo muito bonito!

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Embora não sejamos religiosos, somos mineiros e faz parte da nossa cultura reconhecer, respeitar e admirar os costumes de nosso Estado, incluindo aí a religiosidade de nossa gente. Então sempre que dá procuramos conhecer as igrejas mineiras, sejam elas históricas ou modernas – Minas é o Estado onde a tradição convive em harmonia com a “novidade” e todas estas facetas do nosso povo nos interessa, e muito.

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Destaque para Cristo na Cruz, que fica pendurado do alto da cúpula – parece que ele está levitando

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A cidade de Itajubá, vista do alto do Santuário

Este post acabou virando uma declaração de amor à Minas né? Ahahaha, pois bem, que seja, não posso negar!
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PS: Agradecimento imenso a Flávio Siqueira, mineiro como nós, nascido em Piranguçu. Gratidão pelas informações e fotos gentilmente cedidas para ilustrar este post.
*Passamos por Piranguçu e Itajubá dentro do Roteiro Mantiqueira, leia mais sobre ele AQUI

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Vanessa Barreto

Psicóloga por profissão, viajante por paixão. Acredito na força dos encontros, na potência das palavras e na beleza das pequenas coisas. Viajar é um modo de existir e de se reinventar e por quê não dizer terapêutico também?

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2 Resultados

  1. Olá Vanessa e Leonardo, aqui é o Giovanni do bistrô pé na roça que contou a história pra vocês. Fiquei muito feliz por encontrar o seu blog e por saber que gostou do nosso cantinho. Aguardo novamente a visita de vocês para podermos trocar mais história da nossa região!!!! E se quiser qualquer dia levo vocês a Maria da fé para mostrar o buraco da bala kkkkkkk
    Obrigado
    Giovanni Chiaradia
    Restaurante pé na roça

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