De Monteiro Lobato a Ilhabela de carro e a travessia de balsa

Ilhabela foi o nosso segundo destino dentro do roteiro “Eu prefiro as curvas da estrada de Santos”. De acordo com o Google Maps a opção de trajeto mais rápido partindo de Monteiro Lobato seria pela Rodovia dos Tamoios, a SP-099, até Caraguatatuba. Contudo, optamos por dar uma “volta” e ir por São José dos Campos e Mogi das Cruzes, chegando ao litoral pela SP-098 em Bertioga. Deste modo, com uma hora a mais de trajeto poderíamos percorrer mais um trecho da Rio-Santos, de Bertioga a São Sebastião, curtindo as famosas curvas da estrada de Santos.

Ah, detalhe importante: fomos ouvindo Roberto Carlos no trajeto, somos destes! 🙂

Estávamos num  domingo de final de feriado prolongado, saindo da serra no sentido litoral. Quase todo  mundo estava no sentido contrário, a caminho de São Paulo e das cidades em seu entorno, então boa parte do trajeto descendo a serra foi assim, vendo o pessoal no sentido contrário agarrado em uma fila de carros parada e sem fim, e eu só pensava que se morasse em São Paulo não teria coragem de deixar a cidade em feriado prolongado, especialmente rumo ao litoral, é insano!

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Quilômetros de um engarrafamento monstruoso no sentido capital, a temida volta do feriado. Subindo a serra num engarrafamento sem fim e num eterno pára, anda, pára. Vários veículos no acostamento, quebrados ou trocando pneus.

A descida da serra é muito bonita e conseguimos parar em um mirante, que já fazia parte do Parque Estadual da Serra do Mar.

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Catarina, exibindo todo o seu charme numa das várias curvas da estrada de Santos.

Em Bertioga, então, pegamos a BR-101 (Rodovia Rio-Santos),  e ficamos um pouco decepcionados com o que encontramos até chegar a São Sebastião. Tínhamos a expectativa de que boa parte da estrada margearia o litoral recortado por encostas cobertas por Mata Atlântica, mas não foi bem assim. A maior parte da estrada vai meio que por dentro, passando por bairros periféricos das cidades e distritos ou por entradas de condomínios fechados que acabam cercando as praias, e assim só conseguimos ver do mar em alguns poucos trechos. De Bertioga até Boiçucanga (passando por Guaratuba, Boracéia, Barra do Una, Juréia, Juqueí, Barra do Sahy e Cambury) vemos uma vegetação rasteira, em terreno plano, è às vezes passamos por uma praia ou um trecho de mata, por áreas residenciais de condomínios ou bairros mais simples, e também por áreas comerciais mais populares. Não é um trecho tão badalado ou bonito.

Decidimos almoçar em Boiçucanga, lugarzinho simples e que nos pareceu de preços justos (diferente da próxima praia, Maresias, conhecida pela fama e preços altos). Numa rua acessória achamos um pequeno restaurante que servia PF´s por um preço médio de R$20,00, uma pechincha para a região. Pedi uma parmegiana de frango sem os acompanhamentos (não como grãos) e Leo um PF simples de um bife qualquer. Como eles deram um desconto no meu prato porque eu não quis o feijão, arroz e salada, no total pagamos menos de R$40,00 para os dois, incluindo água e refri. Não era nada maravilhoso, nem tenebroso, a típica comida ok. (não me lembro o nome do lugar).

Após o almoço chegamos em Maresias. Por ser tão famosa queríamos ao menos conhecê-la, ainda que de passagem. Lá chegando constatamos que não é possível sequer ver a praia da estrada. Toda a extensão do litoral é fechada pelos mega condomínios e, de tempos em tempos, uma passagem para pedestres se abre espremida entre as construções, para que os banhistas possam acessar a praia. Ou seja, não tem como ir curtindo a paisagem da janela do carro, para ver e ter acesso a praia tem que deixar o veículo num dos estacionamentos ($$$) da rua principal ou lutar (era fim de feriado, estava tudo lotado) por uma vaga na rua mesmo, e pegar a pé uma das passagens de pedestres. Nós particularmente gostamos das praias mais “abertas”, onde de longe se vê a faixa de areia e o marzão azul.

Na rua principal (seguimento da estrada), muitas lojas chiques, restaurantes e variados tipos de serviços. É um dos litorais mais badalados de São Paulo e certamente conta com ótima infra-estrutura para atender aos turistas que procuram por mais conforto e melhor estrutura. Não faltam excelentes opções de hotéis, com preços em geral mais salgados que outras praias da Rio-Santos. Contudo, não curtimos muito a vibe (cheio, caro, difícil, etc…)

Tocamos rumo a São Sebastião, onde pegaríamos a balsa para a Ilhabela. Como chegamos num domingo pagamos R$ 27,70 pela travessia (preço de finais de semana e feriados, em dias úteis cobra-se R$ 18,50 por veículos simples). Tudo muito organizado, ficamos impressionados! É possível até mesmo agendar o horário da travessia pelo site da DERSA, já que em finais de semana e feriados há longa espera (longa mesmo, coisa de tipo quatro horas), mas o preço aumenta absurdamente (R$93 em domingos e feriados e R$63 em dias úteis). Como estávamos no contrafluxo (todo mundo que foi aproveitar o feriado estava deixando a ilha) , nossa entrada  foi muito tranquila, mas a fila para quem estava saindo era ENOOOOOORME. Neste sentido pareceu-nos muito válido escolher dias de semana e especialmente fora de feriado para conhecer Ilhabela.

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Leo e Catarina, na balsa.

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Deixando o continente para trás.

Já sobre Ilhabela: a maior parte das praias estão nesta orla oeste, de frente para o Continente, indo da Praia do Jabaquara, ao norte, à Ponta de Sepituba, ao Sul. Para todas as demais praias (ao norte e leste da ilha)  o  acesso é feito por barco, algumas também por trilhas, ou jipe 4×4. Todas as vias e acessos são muito bem sinalizados: saindo da balsa chega-se a uma rotatória – à direita pega-se para a parte sul, à esquerda vai-se para a parte norte, sem qualquer pegadinha.

Mapa do site www.ilhabela.info

Não utilizamos transporte público já que estávamos com nosso carro, mas vimos muitos ônibus urbanos. Como a maioria dos pontos de interesse para o turista estão na estrada que margeia a orla oeste, não pareceu nem um pouco difícil utilizar ônibus por lá. Inclusive para visitar muitos lugares é bem desejável, nem sempre é fácil estacionar e parar na rodovia é multa certa. Este foi o segundo ponto que nos levou a crer que visitar Ilhabela em dia de semana é melhor: as praias estão nas margens da rodovia, que é de via simples, sinuosa, muito estreita e com vários pontos de denso povoamento. Assim restam poucas áreas disponíveis para estacionamento, que costumam encher até mesmo em dias de semana nas praias mais famosas, quem dirá nos feriados…. Algumas contam com estacionamento privado, em outras o pessoal pára na margem da rodovia mesmo, sujeito a multas. (Nosso anfitrião nos alertou que lá eles multam mesmo!)

Nossa primeira impressão sobre Ilhabela não poderia ser melhor. Como chegamos num fim de tarde vimos um pôr do sol incrível, na estrada mesmo. Nossa hospedagem ficava no extremo sul da ilha e saindo da balsa percorremos 17 km sentido sul para chegar até ela.

De fato Ilhabela é tudo aquilo que prometem e mais um pouco. Praias deslumbrantes, um pôr-do-sol incrível, muita natureza. Não faltam opções que agradam a todos os públicos

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oqueijovainamala

Um casal mineiro que ama viajar e conhecer novos lugares, mas acima de tudo busca experiências e novas histórias para ouvir e contar.

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