Maria da Fé: uma noite na cidade mais fria de Minas Gerais

Decidimos que Maria da Fé seria  a terceira cidade do Roteiro Mantiqueira por uma simples razão: lá estão as menores temperaturas já registradas no Estado e nós, como amantes do frio, não poderíamos deixar de passar ao menos uma noite na cidade mais fria de Minas Gerais! 🙂

Chegamos no início da tarde sem qualquer reserva de hospedagem. Leo em suas pesquisas tinha lido algo sobre a produção de azeite da região: lá tem uma Fazenda Escola da EPAMIG.

Logo na entrada da cidade vimos uma placa que indicava a produção de azeites da Fazenda Maria da Fé – o acesso era por uma estrada de terra logo na entrada da cidade e pra lá tocamos.

Pouco depois de 20 minutos chegamos à Fazenda. Fomos recepcionados por uma jovem que nos levou a uma área coberta com um toldo: lá funciona um restaurante que apenas abre aos finais de semana. Em dia de semana há apenas venda e degustação de azeite e outros produtos de produção local, como doce de leite.

DSC_0534

Área do restaurante da Fazenda Maria da Fé. Olha Leo lá no fundo!

DSC_0527.JPG

O visitante pode se sentar numa dessas poltronas para contemplar a área externa da Fazenda: é bem bonito

DSC_0530

Detalhes do restaurante: se a ideia é almoçar lá é importante se organizar para ir em final de semana

DSC_0535

Um exemplar da árvore de Oliveira fica exposta para os visitantes

 

É lá também que há a degustação e venda do azeite. Provamos os três tipos que eles produzem e escolhemos o Koroneiki  como preferido: trouxemos uma garrafa para casa (R$ 45,00). Achamos o azeite bem saboroso! Em tempo: os azeites são vendidos apenas na própria fazenda ou pelos correios.

20638266_1582449895139720_4455614718136739284_n.jpg

Os três tipos de azeites extra virgem produzidos pela Fazenda Maria da Fé: o primeiro é mais suave, o segundo nos pareceu na medida, o terceiro mais “forte”. Tem que provar mesmo, tudo depende do paladar de cada um. Os dois primeiros custam R$ 45,00 e o terceiro, R$ 50,00. Valores em abril/2018. (Foto: Facebook da Fazenda)

 

Ficamos livres para caminhar pela propriedade após a degustação (que é gratuita), vimos algumas oliveiras no jardim próximo, elas estão ali justamente para que os visitantes possam vê-las de perto –  as principais plantações da Fazenda estão mais distante, é possível vê-las no horizonte.

DSC_0536

DSC_0538

As Oliveiras

DSC_0543

DSC_0544

Catarina e a Fazenda

 

Foi uma visita rápida, em dia de semana não há muito o que fazer por lá, a não ser degustar, comprar o azeite e dar um passeio no jardim.

DSC_0547.JPG
 

Voltamos para a cidade e enfim adentramos Maria da Fé: uma cidade pequena e simpática, típico interior mineiro. Começamos a procurar pousadas e estávamos em busca de uma opção econômica, já que ficaríamos fora a maior parte do tempo. 

Estivemos na Pousada Valle das Águas, mas a opção mais barata para o dia era R$ 180 o casal ( a pousada oferecia quartos simples a R$ 140, mas todos já estavam ocupados). De lá tentamos a Pousada Vovó Pina, mas uma placa de todo tamanho na porta informava que só aceitavam hóspedes com reserva prévia.

Acabamos chegando na Pousada JC: uma pousada familiar, bem simples. Lá pagamos R$140 a diária, o que ainda consideramos acima do que buscávamos. Nossa ideia inicial era ficar 02 noites em Maria da Fé e ter a cidade como base para um bate e volta na vizinha Carmo de Minas, onde queríamos fazer o passeio da Rota do Café Especial. Com duas noites poderíamos conhecer Maria da Fé, fazer o passeio e ainda experienciar um pouco do famoso frio da cidade.

DSC_0548.JPG

A pousada é um casarão antigo, com suítes. A família que cuida do local mora ao lado. Os quartos são simples e dispõe do básico para um bom pernoite

WhatsApp Image 2018-07-08 at 15.27.49 (2).jpeg

Foto de pior qualidade, feita com celular, mas que retrata o café da manhã muito simples da pousada: café, leite, refresco (não natural), presunto, mussarela, pão de sal, pão de milho, pão de queijo, margarina e pedacinhos de fruta

 

Em Maria da Fé descobrimos o motivo das hospedagens serem mais caras do que habitualmente vemos em outros lugares: lá tem uma sede da Universidade Holística do Brasil e esta instituição atrai muitos estudantes e profissionais de vários locais que procuram a entidade para cursos e atividades variadas. A dona da pousada nos contou que não é incomum a cidade “lotar” em eventos da escola. 

Inclusive refletimos muito nesta etapa da viagem sobre chegar numa cidade sem reserva. Claro que a ideia de ficar mais livre é legal, mas nós percebemos que pra gente não foi a melhor escolha: além de dificultar a procura por um lugar mais econômico (a internet facilita muito este processo e é bem chato fazer esta pesquisa na rua ou dentro do carro, pelo celular) e ser cansativo chegar num local e ainda ter que procurar hospedagem, a gente pode acabar dando azar de chegar numa cidade em meio a algum evento local importante e nem ter onde dormir!

Pois bem: demos sorte, conseguimos vaga na JC, mas por ser cidade pequena achamos R$140  acima da nossa expectativa e daí começamos a repensar se valeria a pena ficar lá duas noites mesmo. Uma vez instalados, fomos caminhar pela cidade e reconhecer o “terreno”, até mesmo pra gente pensar com mais calma nos próximos passos da viagem.

Cidade pequena, bem cuidada, ruas de paralelepípedo. Tomamos um café na padaria (onde pagamos apenas R$ 8,00 por lanche e café para dois, ah o interior <3 ) e voltamos para a pousada para banho e descanso.


 

Um cadim da cidade:

DSC_0557

Já era fim de tarde quando enfim saímos para dar uma volta: pessoas voltando do trabalho, crianças da escola…vida!

DSC_0566

DSC_0563

O cartão postal da cidade é a estação de trem, com a locomotiva ao lado: lá funciona o Centro Cultural de Maria da Fé, que já estava fechado quando chegamos. No trip advisor lemos muitas avaliações dizendo da falta de cuidado com o espaço e pouco investimento em turismo na cidade. Não podemos falar pois não entramos, mas a área externa tá muito bonitinha e vale a clássica foto

DSC_0569

A gente sempre diz que o melhor a fazer em cidade pequena é sentar na praça e dar aquela espiada na vida: alá Leo cumprindo a lição do dia 😉

DSC_0558DSC_0553
 

A noite saímos para comer e “sentir a cidade mais fria de Minas”. Quando chegamos estava calor, mas a noite a temperatura caiu bastante! A igreja de São Benedito estava em festa e lá fomos nós “xeretar”: festa típica de comunidade, com direito a bingo e prêmios no estilo tupperware e vinho barato. Comida muito barata também, mas chegamos já no final e não tinha quase nada mais. (Fiquei numa tristeza profunda de ter perdido o bingo, quando terei eu outra chance assim?)

Não tinha quase nada aberto na cidade e achamos que ficaríamos com fome até que encontramos o único restaurante aberto, ufa. Lá comemos uma carne com mandioca frita, Leo pediu uma cerveja e eu uma caiprinha. E a conta? R$ 34 REAIS. Isto mesmo, você não leu errado TRINTA E QUATRO REAIS! (a gente já disse o quanto ama interior?)

WhatsApp Image 2018-07-08 at 15.27.47.jpeg

Vejam os preços! Estes valores são para uma refeição super completa: nós pedimos apenas porção e saímos super satisfeitos. Tava uma delícia!

WhatsApp Image 2018-07-08 at 15.27.48 (2)

Se você for visitar Maria da Fé procure o restaurante Foka II : come-se MUITO bem e por um valor incrivelmente barato (ao menos comparando com a cidade onde vivemos, BH)

 

No jantar decidimos que partiríamos no dia seguinte. Já tínhamos conseguido rodar um pouco pela cidade, visitar uma fazenda produtora de azeite (um dos nossos objetivos na cidade) e tocando em frente aumentaria nossa chance de conseguir uma hospedagem com um custo benefício mais interessante. 

Acabamos aproveitando o nosso pouco tempo por lá caminhando pelas ruas, observando a vida das pessoas na praça… o melhor a fazer em cidade de interior!

 

Mas e então? Compensou visitar Maria da Fé?

Pra quem gosta de frio e quer ter a experiência de conhecer a cidade mais fria do Estado (nosso caso), vale sim a pena. Mesmo num dia quente, a noite esfriou bastante! Mas é importante saber que:

  1. A  maioria das hospedagens são simples e/ou familiares e o custo nos pareceu alto se comparado com hospedagens similares em cidades um pouco maiores. 
  2. A cidade tem uma estrutura turística ainda bem incipiente e são poucos os atrativos turísticos e a sinalização é precária. Há grande potencial, mas parece ainda pouco explorado.
  3. Como todo interior, as coisas fecham cedo, então é importante se programar para as refeições. Nós fomos salvos pelo Foka II, mas a gente rodou, rodou, rodou e ele era o único aberto, tem que ficar esperto!

 

Quanto tempo ficar por lá?

Em um único dia é possível visitar as fazendas produtoras de azeite e circular pela cidadezinha. É legal dormir ao menos uma noite pela experiência de dormir na cidade mais fria de Minas Gerais.

Para quem quer ficar o final de semana uma boa é fazer o passeio da Rota do Café Especial, na vizinha Carmo de Minas, rola um bate volta tranquilo! Para quem dispõe de mais dias dá pra visitar Maria da Fé- Carmo de Minas (Rota do Café) e São Lourenço (Circuito das Águas), é tudo relativamente perto!

Mais alguns clicks da pequena Maria da Fé:
DSC_0574DSC_0578

DSC_0580

Igreja Matriz de Maria da Fé (Nossa Senhora de Lourdes): infelizmente não a vimos aberta, se você leu este post sabe que queríamos muito entrar nela pra procurar a tal “bala na parede”

DSC_0583

A tardinha cavaleiros “estacionam” os cavalos perto da praça principal e se encontram ou na praça mesmo ou nos bares, para aquela prosa de fim de tarde (Ah, Minas Gerais!) <3

DSC_0594

Esta foto poderia se chamar: “eta vida besta meu Deus” 😀

 
Aquela foto que ficou péssima, mas a gente coloca só pelo afeto

WhatsApp Image 2018-07-08 at 15.27.48.jpeg

Foto terrível feita com celular e luz precária, Leo certamente não postaria, mas eu posto! Registro da noite em que saímos por Maria da Fé só pra ter o gostinho de curtir o frio da cidade mais fria de Minas Gerais. E tava frio viu?

 

Compartilhe:

Vanessa Barreto

Psicóloga por profissão, viajante por paixão. Acredito na força dos encontros, na potência das palavras e na beleza das pequenas coisas. Viajar é um modo de existir e de se reinventar e por quê não dizer terapêutico também?

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *