Nossa 1ª experiência no Couchsurfing

Você conhece o Couchsurfing?

Trata-se de uma plataforma que conecta viajantes e anfitriões do mundo todo. A ideia é praticar a solidariedade e o compartilhamento: um viajante pode ser recebido gratuitamente por um anfitrião em sua casa, num sofá, num quarto de hóspedes, num cantinho que ele dispuser.

Ambos tem a ganhar com a experiência: para muito além da economia para o hóspede e da troca cultural para o anfitrião, o couchsurfing permite criar novas amizades e laços mundo afora.

Eu, Vanessa, já estava há muito tempo namorando a ideia de tentar utilizar pela primeira vez a plataforma. Meu cadastro era antigo, mas ele ficava lá, parado. Até que li um post dos amigos do Blog Cores do Mundo falando da experiência, inclusive eles começaram a namorar quando o Thiago hospedou a Mallê em sua casa, olha que legal! 🙂

Leonardo inicialmente foi um pouco mais resistente, mas não demorou a topar. Em geral em cidades maiores a oferta também é maior e decidimos então tentar na cidade de Brasília, que faria parte do nosso roteiro Cerradão Goiano.

Nossa primeira experiência

Pesquisei o perfil de vários anfitriões e escolhi pedir hospedagem ao Edson. Eu já havia visto o perfil dele há uns meses atrás, quando cogitei pedir couch para ir a um congresso em Brasília, que acabou cancelado. Uma frase na descrição dele me impactou tanto que decidi usá-la no meu próprio perfil. Ele dizia:


“Couchsurfing é troca, experiência, quebra de paredes, empatia. Não é hospedagem barata, não é hotel, não é favor. Por favor, não me ofereçam dinheiro e nem busquem por um cantinho para dormir e um chuveiro para um banho rapidinho sem incomodar'”.

Na plataforma eu via muita gente pedindo exatamente o que Edson não queria: um cantinho para dormir e um banho rápido, “sem incomodar”. Isso sempre me soou estranho: couchsurfing não é caridade, eu sempre achei que se você vai para a casa de alguém não é pedindo favor – tem que existir ali uma relação de troca vantajosa para ambos.

Num dos passeios que fizemos juntos – Ermida Dom Bosco

Mas aí vem a parte mais legal: a troca não é monetária. Num mundo tão comercial encontrar pessoas que ainda topam trocas afetivas, culturais e pessoais e incrível. Receber um desconhecido na sua casa sem ganhar um tostão com isso, perder sua privacidade por um tempo, ter que lidar com o imprevisível… sempre me pareceu algo muito, muito incrível!

Ficamos 04 noites na casa de Edson e em seu tempo livre ele não poupou esforços para nos fazer companhia – jantamos juntos todas as noites, depois que ele chegava do trabalho, conversávamos muito e no final de semana passeamos juntos pela cidade. Eu achei incrível ele fazer isto pela gente sem mal nos conhecer!

Só descobri o Anexo da Câmara dos Deputados com esta vista privilegiada graças a uma dica preciosa de Edson

Pode parecer bobo, mas ser acolhido com tanta generosidade e carinho por uma pessoa que nunca te viu na vida, ver que ela está dispondo do tempo dela para te acompanhar em passeios, dar dicas, compartilhar momentos da rotina de um “desconhecido” como se fosse parte da família é algo que eu jamais imaginaria viver.

Nossa primeira experiência no Couchsurfing foi tão, mas tão especial, que só nos fez acreditar ainda mais nas pessoas e no poder do compartilhamento, da solidariedade e do amor. Nós acreditamos muito que o mundo se torna um lugar melhor de se viver quando a gente quebra paredes e exercita a empatia e para nós o Couchsurfing significa exatamente isso.

Tanto que assim que Edson aceitou nosso pedido eu senti que eu deveria fazer o mesmo. Dando fluxo à corrente de ajuda mútua e conexões proposta pelo Couchsurfing, decidimos oferecer hospedagem em nossa casa também. Hoje já somamos várias experiências como anfitriões, todas muito positivas.

Dia de passeio 🙂

Algumas considerações

Não acho que acertamos em cheio do nada. Eu pesquisei muito antes de pedir hospedagem ao Edson, li o perfil dele de cabo a rabo, vi todas as fotos, li tudo com muita atenção. E percebi que tínhamos interesses parecidos e que ele parecia, pela descrição, ser um cara muito legal.

Acho que negligenciar estes fatores pode contribuir para uma experiência totalmente diferente. Pense que você estará dentro da casa de uma pessoa completamente desconhecida (ou vice versa, se for hospedar), então me parece importante existir ao menos alguma afinidade.

Grande parte da nossa experiência em Brasília sem dúvida foi a amizade e a acolhida carinhosa que tivemos

Vejo viajantes pedindo hospedagem sem escrever direito sobre o que querem fazer na cidade, dizendo algo do tipo: “conhecer a cidade”. Não me animo a hospedar alguém que não se dá ao trabalho de dizer de modo detalhado o porque quer vir para a minha casa.

Couchsurfing não é apenas hospedagem gratuita. É a possibilidade de viver uma experiência própria, pessoal, única, com um anfitrião local que se dispõe a te receber sem qualquer interesse financeiro. Portanto, se sua ideia é se aventurar pela plataforma, tenha isso em mente: se preferir após o dia de passeios apenas tomar banho e se trancar no quarto, talvez um hostel ou hotel sejam mais indicado. Mas se você gosta da ideia de compartilhar, cozinhar junto, ter companhia local para passeios ou para aquela dica, você já sabe o que fazer.

*Nossos eternos agradecimentos a Edson, que abriu as portas de sua casa para este casal, até então desconhecido e a Hugo, que contribui e muito para que a acolhida fosse tão especial. Hoje ambos são amigos muito queridos para nós!

Salve no Pinterest e consulte sempre que quiser

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Vanessa Barreto

Psicóloga por profissão, viajante por paixão. Acredito na força dos encontros, na potência das palavras e na beleza das pequenas coisas. Viajar é um modo de existir e de se reinventar e por quê não dizer terapêutico também?

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14 Resultados

  1. Andrea disse:

    Gosto do blog de vocês há bastante tempo, mas nunca interagi. Parabéns pelo post super responsável e informativo sobre o cs!

  2. Lívia disse:

    Muito bacana essa troca de experiências que o couchsurfing proporciona.

  3. Vanessa Barreto disse:

    É incrível! 🙂

  4. Edson disse:

    Sem dúvidas o contato pré, durante e pós couchsurfing com vocês foi de uma conexão especial. O “espírito CS” já estava em vocês, a plataforma só ajudou a logística. E esse tipo de compartilhamento deixa a vida mais solar. Com um gostinho bom de queijo com café 😉
    Até a próxima, Vanessa e Léo!

  5. Patricia disse:

    Não conhecia. Achei bem interessante

  6. Camila disse:

    Nunca fiz! Adorei o relato e estou considerando essa forma de hospedagem pras proximas aventuras! Muito legal

  7. Dora disse:

    Adoro a ideia do couchsurfing, essa troca entre as pessoas, mas admito que tenho um pouco de medo.

    • Vanessa Barreto disse:

      Oi Dora!
      Ainda hoje deve entrar um post no blog onde daremos dicas mais detalhadas para usar a plataforma com segurança, acho que pode ajudar. 😉

  8. ANA LIGIA disse:

    Que delicia de experiencia! Eu amo o couchsurfing! Minha primeira experiência foi na Argentina… e depois dela vieram outras sempre incríveis

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