Paracatu: uma cidade histórica no Noroeste de Minas Gerais

Alimento o sonho de conhecer quase todo o Estado de Minas Gerais, então sempre que tenho a oportunidade de conhecer uma cidade mineira nova não penso duas vezes!

Paracatu foi tomada como ponto de pernoite em nossa ida de carro de BH à Chapada dos Veadeiros, dentro do Roteiro Cerradão Goiano. Pesquisando sobre a cidade eu descobri que ela guarda vários atrativos históricos e é claro, fiquei ainda mais animada em visitá-la.

Nos hospedamos no Hotel Village e esta foi a opção mais econômica que encontramos. Chegaríamos tarde e no dia seguinte a ideia era sair cedo para conhecer a cidade, então precisávamos basicamente de cama, chuveiro e café. Leia nossa avaliação sobre a hospedagem neste post.

Um pouco da história de Paracatu

Paracatu está localizada no Noroeste de Minas Gerais, próxima a divisa com o Estado de Goiás. A cidade surgiu em meio à rotas de bandeirantes e pela atividade mineradora, existente ainda hoje na cidade. Justamente atrás de ouro e prata, muitos desbravadores exploraram a região, fomentando todo um dinamismo em torno da cidade. Segundo dados históricos a cidade já era conhecida pelos Europeus desde o ano de 1586.

Paracatu vem se desenvolvendo como um grande polo turístico e cultural, tendo sido tombada em 2010, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), como patrimônio cultural brasileiro.

Pertence ao seleto grupo das dez cidades nacionalmente tombadas em Minas Gerais, o que a coloca no patamar de um dos municípios mineiros mais ricos culturalmente e patrimonialmente, sendo integrante também da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais.

Como tínhamos apenas um dia, optamos por nos dedicar a conhecer o Centro Histórico

O Centro Histórico de Paracatu

Deixamos Catarina perto do Arquivo Público de Paracatu e a partir dali fizemos todo o centro histórico a pé. O Arquivo Público guarda documentos importantes da cidade, e obras raras, como manuscritos do Séc. XVIII, processos antigos de justiça e uma série de registros documentais do município, tais como fotos, microfitas e cd´s com gravações de entrevistas com antigos moradores. Jornais, revistas e documentos da Prefeitura e Câmara Municipal até a década de 70 do Séc. XX também ficam neste local.

Chegamos à Igreja Matriz, cartão postal da cidade:

A Igreja Matriz de Santo Antônio data do ano de 1746 e chama atenção por não ter torre, destoando da maioria das igrejas mineiras. A construção é feita de adobe, taipa e vigas de aroeira. A ausência das torres é creditada à influência goiana, considerando que Paracatu está mais próxima do Estado vizinho do que da capital mineira, por exemplo. Não a encontramos aberta, mas em fotos na internet é possível ver que por dentro ela é bem simples e com altares feitos em cedro.

Descendo um pouco mais, a pé,  encontramos dois marcos histórico famosos na cidade: O Chafariz da Traiana e o Passo da Paixão.

O passo é uma construção singela e muito bonita, também aos moldes da arquitetura  barroca. A pintura no teto é uma homenagem ao Mestre Ataíde, importante artista no cenário mineiro colonial.

Os três no mesmo recorte: o Chafariz da Traiana, o Passo da Paixão e o Museu Municipal. Agora digam, não é uma lindeza esta cidade?

A partir  do Chafariz foi só atravessar a rua e já estávamos no Museu Histórico Municipal. Os principais pontos do centro histórico de Paracatu são bem próximos e é fácil visitar a pé, o único problema é o sol! A cidade é habitualmente bem quente e o sol costuma ser impiedoso!

Não é permitido fotografar as salas internas do Museu, então só temos registros da área externa, que por sinal, é belíssima. O Museu está numa construção do ano de 1903 e que teve como primeira função sediar o Mercado Municipal da cidade. Era, portanto, local de abastecimento de toda a cidade e zona rural. Chegou também a ser sede da Prefeitura Municipal, da Secretaria Municipal de Educação, da Inspetoria Regional de Ensino, e somente em 2000 tornou-se Museu.

O local tem um acervo com peças que fazem referência à história da cidade em momentos diversos. Lá encontramos objetos de trabalho, ferramentas, fotografias antigas, documentos e especialmente materiais utilizados para a extração do ouro (de aluvião), atividade que bastante se deu na região. Há também muitas referências à mão de obra escrava que foi a base do desenvolvimento inicial da cidade. A visita foi guiada por uma monitora que nos contou que ainda hoje existem vários quilombos por lá. A influência negra na cultura local é visível e o Museu é um testemunho importante deste legado.

Embora a casa seja muito bonita e o acervo rico, a casa carece de cuidados. Muitas tábuas soltas no piso, com cartazes alertando o visitante para não se aproximar.

Aproveitamos a visita ao Museu para descansar e refrescar um pouco.  Mesmo sendo tudo perto é bem cansativo turistar em Paracatu. O esquema é ir parando, dando uma descansada nas sombras pelo caminho e tomando MUITA água.

Depois seguimos pela rua do Museu  e logo chegamos à Casa do Artesão.

A Casa reúne artesanato local dos mais variados tipos, mas nós damos destaque especial aos bordados: tem desde enfeites a colchas, toalhas, almofadas, bolsas, uma coisa mais linda do que a outra.Tem também doces, geléias e licores, um ótimo local para levar uma lembrancinha da cidade e ainda, apoiar o comércio local e a produção artesanal.

Logo de frente para a Casa do Artesão está um dos cartões postais famosos da cidade, local que queríamos muito conhecer: A Casa de Cultura.

A Casa é uma construção de 1857 e funcionou primeiramente como residência, depois como grupo escolar e por fim, tornou-se a Casa de Cultura, no ano de 1988.

A Casa de Cultura tem como objetivo abrigar eventos artísticos e oficiais e cursos de artes. Lá estão expostos quadros e mobiliário de época e tem também espaço para exposições temporárias. Na data de nossa visita estava ocorrendo uma exposição sobre plantas e uma feira de orquídeas, com exposição de variados tipos e comercialização.

A casa é mais um excelente lugar para dar aquela sentadinha e descansada. (Mais uma, dentre as várias que eu, Vanessa, dei! kkkkkkkkkkk)


Da Casa de Cultura, seguimos rumo à Igreja do Rosário, passando pelos belíssimos becos de Paracatu.

A Igreja do Rosário é de 1744 e foi concebida para atender aos negros. A construção inicial também não contava com torre, aos moldes da Igreja Matriz, e esta foi incorporada posteriormente

Achamos bem curiosa a sustentação em madeira meio “torta” nas laterais

De lá voltamos para Catarina (nosso carro) e seguimos rumo à Igreja de Santana: esta ficaria mais longe para acessar a pé, ainda mais debaixo do sol escaldante!

A igreja original foi construída no ano de 1736 e demolida em 1935. Em 1990 construiu-se uma réplica no mesmo local, aos moldes da antiga. A construção contou inclusive com recursos dos moradores, tanto financeiro como em mão de obra.

Na praça de frente à Igreja estava acontecendo um encontro de motoclubes e a cidade estava bem movimentada. Inclusive soubemos que Paracatu é uma cidade que recebe muitos eventos importantes na região, sendo um pólo cultural importante para outras cidades menores.

A gente tá tão acostumado com as cidades históricas mineiras mais famosas (Ouro Preto, Mariana, Congonhas, etc..) que não se dá conta de qualquer outra que saia deste eixo. Achei realmente impressionante conhecer mais uma cidade mineira tão cheia de riquezas históricas e até então, completamente desconhecida para mim.

Se você planeja uma viagem partindo de BH para Brasília/Goiânia e arredores de carro considere ao menos um pernoite na cidade e aproveite para conhecer mais um cadim da história de Minas Gerais.

Outros registros

O sol e o calor em Paracatu são intensos na maior parte do ano. Então chapéu, óculos, protetor solar e água são indispensáveis. E claro, aquela sombrinha marota vez ou outra para recuperar as energias

Fontes consultadas:

http://visiteparacatu.com.br/

http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2010/12/paracatu-em-mg-e-tombada-como-patrimonio-cultural-braseiro.html

https://patrimonioespiritual.org/2017/06/06/matriz-de-santo-antonio-paracatu-minas-gerais/

https://paracatumemoria.wordpress.com/acervo/

http://www.gazetadigital.com.br/suplementos/passeios-e-viagens/construcoes-preservam-a-historia/133342

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Vanessa Barreto

Psicóloga por profissão, viajante por paixão. Acredito na força dos encontros, na potência das palavras e na beleza das pequenas coisas. Viajar é um modo de existir e de se reinventar e por quê não dizer terapêutico também?

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10 Resultados

  1. Juliana disse:

    Meta de vida: conseguir conhecer o máximo de cidades mineiras possíveis! Que Estado mais aconchegante 🙂 Amei saber mais um pouquinho de uma cidade que eu nunca ouvi falar.

  2. Aline Lemos disse:

    Minas Gerais tem tantas belezas escondidas neh? Amei o relato e originalidade das foros….

  3. Amei demais o post. Não sabia que Paracatu guardava tantas belezas. Adoro essas cidades históricas coloniais. Precisando demais, agora mais do que nunca, ir visitar uns amigos que moram em Paracatu.

  4. Paula Gabi disse:

    Gente vocês deviam ser eleitos os desbravadores de Minas Gerais, cada descoberta que vocês fazem! Eu morei próximo a Paracatu por muitos anos e nunca soube desta parte histórica tão fofa da cidade! Vou ter que dar uma passadinha la quando for a Goiás que é outro estado que morei mais conheço muito pouco! Feliz Natal e beijinhos

    • oqueijovainamala disse:

      Gente, olha isso! Ali do ladinho e não conheceu. Isso acontece muito né, as vezes a gente só vai conseguir perceber algo quando se distancia. Tomara que você possa voltar lá e conhecer! 🙂

  5. Amanda disse:

    A melhor parte de acompanhar blog de viagem com os lugares incríveis que descobrimos a partir deles. Nunca ouvi falar, mas já quero conhecer, que fotos incríveis!

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