Roteiro Mantiqueira

Já fazia tempo que Leo vislumbrava a possibilidade de fazermos um roteiro de carro pela Serra da Mantiqueira – esta é sem sombra de dúvidas uma das regiões de que ele mais gosta no país. Segundo ele, é o melhor ar do mundo para se respirar, uma fonte de purificação para a alma. A altitude é elevada, a mata densa, o clima é frio e ao mesmo tempo úmido. Além disso, é uma região com uma forte identidade social e cultural, de uma mineirice ímpar, forjada ao longo dos anos pelos primeiros desbravadores e tropeiros que encontraram ali um pouso para morada e pela grande dificuldade de acesso imposta pelo relevo. Um paraíso, concordamos.

Mantiqueira, na língua de antigos indígenas que vivam na região, significa serra que chora, o que pode ser explicado tanto pela abundante quantidade de água e cachoeiras que descem pelas suas encostas, quanto pela quase onipresença de cobertura de vegetação, especialmente líquens, sobre as rochas, o que lhe dá um caráter permanentemente úmido. Trata-se de uma vasta formação rochosa cuja cadeia principal começa em Barbacena, Minas Gerais, indo até Bragança Paulista, em São Paulo, passando ainda pelo estado do Rio de Janeiro. Seus contrafortes se estendem, ainda, por vasta região do sul de Minas Gerais. Em sua área estão localizadas importantes área de conservação, como o Parque Nacional do Itatiaia e o Parque Estadual da Serra do Papagaio, além de diversos circuitos turísticos, como o “Terras Altas da Mantiqueira”, “Caminhos da Mantiqueira”, dentre outros. Nas regiões mais altas o clima ameno torna a maioria das cidades extremamente agradáveis, possibilitando inclusive cultivos e pastagens de alta qualidade – não é a toa que muitos queijos e cafés premiados saem de lá. 

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As terras altas da “serra que chora” (em alusão à rocha sempre úmida) se estendem desde Barbacena/MG até Bragança Paulista/SP, já nas vizinhanças de São Paulo.

 

Como já contamos no post “Como elaboramos nossos roteiros de viagem” sempre criamos um roteiro a partir de um ponto de interesse e a partir dele, analisamos pelo mapa o que há no entorno: avaliamos o que há em cada cidade da região, o tempo de estrada, as possibilidades de hospedagem, etc…, e assim o roteiro vai tomando forma. Decidimos o quanto de noites ficaremos em cada cidade e definimos o que queremos fazer por lá, conforme o tempo disponível.

Com o Roteiro Mantiqueira foi um pouquinho diferente do habitual: não tínhamos uma cidade específica que seria a “estrela” do roteiro – tínhamos toda uma região a ser explorada. De pistas, tínhamos apenas alguns parques naturais e os nomes de algumas regiões que tem se destacado no circuito gastronômico, pela produção de café, azeites, queijos (o tal terroir da Mantiqueira é cada vez mais falado aqui em BH). Sendo assim Leo marcou cada cidade potencialmente visitável no mapa (basicamente seguindo as estradas pelo mapa) e daí iniciaram-se as pesquisas: o que cada uma tem de interessante pra ver/fazer.

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Habitualmente pesquisamos MUITO antes de bater o martelo no roteiro final, mas por questões pessoais desta vez não tivemos tempo para fazê-lo. Pesquisamos de um modo bem rápido os atrativos de cada cidade marcada no mapa e meio que decidimos sem grandes certezas – tanto que ao longo da viagem aumentamos noites e reduzimos em mais de uma cidade: acabou que o roteiro foi meio que se construindo na própria viagemA questão era: ou a gente viaja com um roteiro a ser construído praticamente na estrada ou a gente não viaja. Claro que nao viajar nunca é uma opção, ahahahhaa, então pela primeira vez lá fomos nós pegar estrada de um modo mais “livre”.

Definido mesmo tínhamos apenas a cidade de partida e chegada. A ideia era começar por Gonçalves-MG, cidade mineira de pouco mais de 4 mil habitantes, mas bem famosa por ser destino de famílias e casais em busca de um final de semana sossegado nas montanhas do Sul de Minas e terminar em Conceição do Ibitipoca, distrito de Lima Duarte-MG. Ibitipoca abriga a sede do Parque Estadual que leva seu nome, já perto de Juiz de Fora, onde passaríamos para visitar meus familiares.

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A inclusão de Gonçalves se deu também em grande parte pela hospedagem – Eu, Vanessa, queria muito conhecer o Paleobergue, que merece um post à parte.

De lá pensávamos em ir para Campos do Jordão-SP ou alguma cidade do entorno (que poderia ser São Bento do Sapucaí-SP ou Santo Antônio do Pinhal-SP). Pedimos opiniões aos nossos anfitriões em Gonçalves e acabamos decidindo ir para Campos do Jordão por questão de hospedagem – encontramos no Airbnb uma casinha bem bacana com excelente preço.

Fizemos um bate volta para conhecer São Bento do Sapucaí e em Santo Antônio do Pinhal estivemos apenas de passagem – o maior interesse que nos motivava a conhecer a segunda era o Pico Agudo, mas lemos que carro baixo tinha dificuldade de subir e acabamos desistindo.

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Serra da Mantiqueira, uma velha conhecida

 

Havíamos planejado apenas duas noites para Campos, mas nos surpreendemos tão positivamente com a cidade e a hospedagem que esticamos para mais uma noite. Nós estivemos em Gramado-RS e não gostamos de lá (contrariando a tudo e todos) e achávamos que Campos do Jordão seria uma “mini Gramado”. Ledo engano – a cidade tem muito mais a oferecer, em nossa opinião. Foi uma gratificante surpresa conhecê-la!

De lá fomos para Maria da Fé -MG,  passando por Piranguçu-MG: estrada de terra e lindas paisagens das montanhas da Mantiqueira ao som de uma boa moda caipira (e alguns modão sofrido, verdade).  Nós adoramos frio e sempre ficávamos encantado ao ver a mínima do Estado pelo MGTV: sempre era em Maria da Fé! Então queríamos conhecê-la e claro, ter a experiência de dormir na cidade mais fria de Minas Gerais. Pensamos em ficar por duas noites, mas lá constatamos que as hospedagens eram caras e não havia muito o que fazer na cidade, então ficamos uma única noite e tocamos em frente.

Definimos como próxima cidade Passa Quatro-MG. Saímos cedo de Maria da Fé e fomos para Carmo de Minas-MG fazer a Rota do Café Especial – ela termina com uma visita à cafeteria da Unique Cafés na vizinha São Lourenço-MG. Como o passeio dura apenas um turno, na parte da manhã, ainda deu pra explorar um pouco de São Lourenço à tarde até partirmos para nossa hospedagem na próxima cidade do roteiro.

Em Passa Quatro ficamos três noites e até cogitamos se não deveríamos ter ficado mais. A cidade foi um achado, tem muitos atrativos naturais, é uma gracinha e conseguimos um quarto pelo Airbnb com preço incrível. De lá passamos nas vizinhas Itamonte-MG e Itanhadu-MG, onde compramos queijos de excelente qualidade a ótimos preços.

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A próxima cidade pouso de nosso roteiro foi Alagoa-MG. Lá pensávamos em ficar por apenas três noites  e depois seguiríamos para Conceição do Ibitipoca, onde ficaríamos mais três, encerrando nosso roteiro. Em Ibitipoca nos hospedaríamos casa dos amigos da Expedição Pão de Queijo. Contudo em Alagoa, Catarina já mostrava alguns sinais de que o sobe e desce das montanhas da Mantiqueira não estavam tão fáceis – identificamos vazamento de óleo e água. Tememos ficar na mão em estradas de terra e acabamos por abortar o último destino. Para que tivéssemos tempo de avaliar o real estado de Catarina e chegar com alguma segurança a Juiz de Fora-MG (onde conseguiríamos assistência se necessário fosse) optamos por estender a permanência em Alagoa para quatro noites e de lá partir direto para JF. Pegando menos estradas de terra e estando no asfalto, ao menos se tivéssemos algum problema seria mais fácil conseguir ajuda.

Visitar Alagoa foi uma experiência muito marcante. No mesmo dia em que iniciamos a viagem (13/04/18) a cidade passou no Globo Repórter por causa do queijo que foi premiado aqui no Brasil e na França. Quando contamos no Instagram que estávamos a caminho da cidade muita gente comentou da matéria e nós sequer sabíamos dela, uma baita coincidência. Só fomos assistir ao programa completo pelo Youtube, já em casa. (Clique AQUI para ver o programa completo). 

Alguns dias com a família em Juiz de Fora e retornarmos a BH.

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Catarina na Rota dos 80, que, dizem, só passa carro alto. Hum, hum, “senta lá Cláudia”.

 

Faltaram algumas cidades que gostaríamos de ter visitado: Marmelópolis, Delfim Moreira, Cristina…, queríamos ter ido ao Parque Nacional do Itatiaia em sua parte alta, queríamos ter chegado à Ibitipoca. Mas não deu… Dentro do possível conseguimos rodar bastante, bem do jeito que a gente gosta. A Mantiqueira certamente rende ao menos um segundo roteiro! 😀

Sempre planejamos muito bem nossos roteiros e pela primeira vez fizemos um roteiro um pouco mais “chutado”, pela falta de tempo. Valeu a experiência, mas não a repetiríamos. Planejar o roteiro com antecedência nos parece muito mais proveitoso por vários motivos:

1) Depois de um dia de passeios, já cansados, a gente ainda tinha que ligar o computador e pesquisar pra decidir os próximos destinos, o que fazer, achar hospedagem, etc.. Foi cansativo e acabamos perdendo tempo da viagem (e de descanso)  fazendo o que poderia ter sido feito em casa. É claro que num esquema “road trip” total a gente pode ir simplesmente parando nos lugares mais fáceis ou que nos parecem melhores e só curtir a viagem, sem se preocupar com a estadia. Mas a gente gosta de lugar que ofereça algum conforto e que seja barato (e de preferência que possibilite cozinhar), então isso restringe um pouco, exigindo pesquisa, etc.

2) Perdemos uma parte importante da viagem da qual muito gostamos: o planejamento. Viajar antes da viagem é uma delícia e é também parte importante do processo pra nós.

3) Como já citado, neste esquema de ir decidindo tudo meio que na estrada a gente por vezes acaba não conseguindo achar opções de hospedagem mais em conta e como tá em cima da hora acaba tendo que pegar o que aparece, onerando mais o custo da viagem.

4) Planejar o roteiro na estrada fez com que wi-fi fosse item importante em nossas hospedagens. Às vezes tudo que a gente quer é se desligar um pouco e ficar off, e neste caso não foi possível. A gente dependia muito da internet!

Valeu, mas nos próximos roteiro queremos voltar a fazer como sempre fizemos: pesquisar as cidades com antecedência, já ter tudo mais ou menos desenhado, ainda que não fechado. Saímos em viagem sempre dispostos a mudar o rumo, mas ter um norte e informações básicas sobre as cidades é bem importante. Poupa tempo e trabalho!

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Altitude, montanha, frio, mata e o melhor ar do mundo

Com o planejamento como deu, como Catarina como aguentou, eis aqui o nosso roteiro :

Roteiro Mantiqueira

Realizado em Abril/2018

Gonçalves/MG – 02 noites

Campos do Jordão/SP – 03 noites

Maria da Fé/MG – 01 noite

Passa Quatro/MG -03 noites

Alagoa/MG – 04 noites

Total – 13 noites

Meio de transporte: Carro próprio – “Catarina” .  Distância total percorrida :  Aprox. 1800 Kms. Custo médio de hospedagem ao dia para o casal: R$ 135,00

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Um casal mineiro que ama viajar e conhecer novos lugares, mas acima de tudo busca experiências e novas histórias para ouvir e contar.

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